A vodca se consagra como o destilado preferido nessa Copa do Mundo

A vodca não é necessariamente uma novidade no universo destilado. Com o seu alto teor alcoólico (40 % em média), ela está presente na maioria dos coquetéis, além de ser uma das bebidas mais recorrentes na hora de se arriscar a misturas (com água de coco, energético ou sucos). Não bastasse, também é fonte de inspiração constante na composição de músicas do universo sertanejo.

Mas, embora o paladar do brasileiro já esteja habituado à vodca, sua origem localiza-se em um país

destilado

geograficamente bem distante: a bebida foi criada entre os séculos VIII e IX na Rússia. Sim, o país sede do Mundial 2018. Independentemente dos rumos da seleção canarinho, não é despropositado dizer que o destilado vive um excelente momento, considerando a quantidade de drinks disponíveis cidade afora.

É o caso do Canarinho, coquetel feito também com kiwi, maçã verde, suco de laranja e capim limão. A combinação desses ingredientes não faz sentido só ao sabor: a aparência resultante dessa mistura foi propositalmente pensada para entrar no clima da competição. E, neste caso, a vodca serviu como o fio condutor, uma vez que é um destilado de paladar neutro, ou seja, não “aparece” demais.

“Podemos afirmar com segurança que o principal sabor que sentimos na vodca é a gradação do álcool. Agora, conseguir distinguir as notas que cada vodca se propõe é algo bem mais complicado”, opina o mixologista Tiago Santos, que criou o coquetel para quem for assistir aos jogos da Copa no Redentor Bar. “O fato é que a neutralidade dela facilita, e muito, a mixabilidade entre as demais bebidas e ingredientes, pois acrescenta o álcool à mistura sem alterar a essência”, explica.

A opinião é compartilhada pelo mixologista e coordenador dos bares do Mercado da Boca, Eduardo Marota, que considera a vodca o destilado “mais democrático”. “É uma bebida muito neutra! Você consegue até ‘disfarçá-la’, sabe? O sabor de uma cachaça para outra muda completamente – já da vodca, nem tanto”, acredita ele.

Para a Copa do Mundo, a sugestão foi o coquetel batizado de Copão da Boca, elaborado com o destilado e mais energético, suco de laranja, maracujá, hortelã e pimenta tabasco.

O drinque é ideal para ser compartilhado com os amigos – por isso a escolha da vodca, como uma bebida potencialmente apta a agradar a todos. “Na primeira receita até pensamos em utilizar o gim, uma bebida que está na moda. Mas, ao fim, sentíamos o gosto dele predominante. Com a cachaça foi a mesma coisa – na verdade, o sabor era ainda mais presente. A vodca é mais agradável para ser compartilhada e ajuda a preservar os sabores dos demais ingredientes do drinque”, conclui.

O barman Max Faustino, do Nimbos Bar, também acredita que o destilado “proporciona uma mobilidade de sabores”. “E capaz de direcionar o paladar para criações mais doces ou mais cítricas, por exemplo”, opina. Do balcão do Nimbos saem várias criações que levam a vodca como base, como o clássico Moscow Mule, coquetel criado nos anos 50, responsável por popularizar o consumo da bebida em outros lugares do mundo, como Estados Unidos e no Canadá.

Thiago Santos explica que essa neutralidade da vodca é consequência do processo de destilação de cereais, como o milho, o trigo, o centeio e a cevada. Na Polônia, Rússia e Noruega, países campeões na produção do destilado, a batata é o ingrediente base – como, por exemplo, na Smirnoff (marca russa com produção no Brasil). A qualidade também entra como parte desse processo. Quanto mais destiladas e filtradas, mais ela fica pura – e, portanto, dificilmente vai provocar a temida ressaca no dia seguinte.
“Depois que seu paladar se acostuma com uma determinada vodca, a distinção entre elas se torna natural”, explica o mixologista. Já nos coquetéis, o buraco é mais embaixo. “Uma vez que você se acostuma a bebê-la com energético, dificilmente vai ser enganado. Agora, quando falamos de coquetéis, dependendo dos ingredientes e do equilíbrio entre eles, dificilmente conseguiremos distinguir uma marca da outra”, sustenta.

Curiosidades

Significado Vodca significa simplesmente “água” (em russo é vodá), em sua forma diminutiva: “aguinha”, como autêntica linguagem popular.

As mais conhecidas Absolut (sueca) e Stolichnaya (russa), feitas de trigo; Belvedere (polonesa), de centeio; Finlandia (finlandesa) de cevada; Chopin (polonesa), de batata, e Cîroc (francesa) de uvas.

Preferidas Para o mixologista e professor de coquetelaria Tiago Santos, elencar as melhores vodcas do mundo já seria uma tarefa mais difícil, não só pela variedade, como também pelos diferentes critérios que podem ser considerados para fazer esse tipo de escolha. Na lista dele, a ordem é: Grey Goose (França), Wyborowa (Polônia), Finlandia (Finlândia), Absolut (Suécia) e Stolichinaya (Rússia).

Categorias Ainda de acordo com Tiago, as vodcas mais caras têm na sua produção elementos mais selecionados, e “por isso a sensação no seu corpo é bem diferente no dia seguinte”.
São elas: Sub Satandard até R$ 15 (Natasha, Roskoff); Standard até R$ 50 (Orloff, Smirnoff), Premium até R$ 100 (Absolut, Wyborowa, Stolichinaya, Finlândia) e Super Premium acima de R$ 110 (Grey Goose, Ciroc, Absolut Elix).

Consumo Atualmente, o consumo anual de vodca na Rússia se estabilizou em 13,9 litros por pessoa, após forte campanha do Ministério da Saúde. Mas, durante a União Soviética, esse consumo era de 30 litros anuais por pessoa.

Proibição Em 1914, o czar Nicolau II resolveu banir o consumo de álcool, e isso incluía também a proibição da bebida mais importante da Rússia. A proibição só caiu em 1925 para modernizar o país com a reabertura das destilarias

Fonte: O Tempo

 

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